Convivência e Autoconhecimento: Encontro entre Persona e Self Pt. 2
A convivência é, por natureza, uma habilidade que envolve a relação ativa com o meio e o outro. Por meio das derivações da convivência é que conseguimos nos expressar nas diversas esferas que compõem a vida e o cotidiano.
Antes de nos perguntarmos se a convivência deve ser boa, talvez faça sentido refletir sobre o quão ela deve ser justa. Apesar disso, antes mesmo de se falar em justiça, é necessário nos perguntarmos: justo com quem?
Ou seja, o primeiro pilar da convivência precisa ser o outro. É necessário presumir a existência de um outro com o qual vamos conviver. Dito isso, uma pessoa cuja expressão de convivência não passa por uma presunção de existência do outro, em outras palavras, uma pessoa que se expressa de forma egocêntrica e baseada apenas em suas próprias vontades e que é focada exclusivamente na própria satisfação, em primeira análise exerce uma convivência disfuncional com o meio e com o outro.
Se as minhas ações desconsideram a existência de outras pessoas, negligenciam seu impacto no meio e, por consequência, no outro, minha habilidade de convivência é, inevitavelmente, disfuncional.
Dessa forma, falar sobre convivência também abre o leque para se falar sobre empatia. Se conseguirmos enxergar o outro e tentar identificar o impacto que nossa ação tem em sua vida, nossa habilidade de conviver será infinitamente amplificada, valendo inclusive olhar para o antigo testamento, em Tobias 4:15: “Não faças aos outros o que não queres que eles façam a ti”.
Aqui a coisa fica mais complicada. Quem convive é a persona, mas a persona não pode destoar em princípios do SELF. Nossa máscara social, que muitas vezes é utilizada com diferentes roupagens em diferentes contextos, não pode se diferenciar de nossa essência. Ou seja, se nossa essência é justa, moral, como podemos criar uma máscara social (persona) que se distancie desses princípios? Aí o ser humano começa a colapsar.
Ansiedade, depressão, doenças tão atuais e comuns são parte do processo disruptivo com nosso próprio Eu. Vestimos máscaras que negam nossa própria essência, por isso, muitas vezes, sequer reconhecemos nossas atitudes.
Mas qual a solução? Alinhamento. Alinhar nossas máscaras sociais com nossa essência, com nosso verdadeiro Eu, é o caminho para começar a entender quem somos nós. Enquanto nos escondermos atrás de máscaras, enquanto negarmos nossa própria essência, que muitas vezes é disfuncional em termos de convivência – e precisa ser lapidada, viveremos na ânsia de acordar amanhã e tudo ser diferente.
O quão de querer tudo diferente não é uma angústia por não viver como nós gostaríamos de viver? Por não ser o que nascemos para ser? O quão do nosso desespero não é o grito de socorro de quem não consegue existir?
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